‘João Saro – “Juíz(o) de Linha”’


Barómetro dos favoritos… e já vamos na 3ª ronda!

Três jornadas depois é possível fazer uma avaliação mais rigorosa do estado de forma dos principais favoritos. Apesar de não me ser possível acompanhar o Australian Open a fundo, quer pelo fuso horário quer pelos afazeres a que estou obrigado, aqui fica a minha avaliação desta 1ª semana. No meu ver, existem 6 favoritos: Federer, Nadal, Djokovic, Murray, Del Potro e Davydenko.

Roger Federer – Vi grande parte da díficil 1ª jornada e meia dúzia de pontos da 3ª. Tem vindo a subir de forma, mas também frente a adversários relativamente fáceis. Parece-me muito errático para o seu habitual e juntando às prestações em Abu Dhabi e Doha, penso que vai ser muito complicado vencer este torneio, pouco provável se encontrar Davydenko (nos quartos) e Djokovic (nas meias).

Estatística relevante face a Montanes na 3ª ronda: mais de metade dos pontos de Montanes foram erros não forçados do suíço (que equivale também a mais de 40% face ao nº de pontos que venceu).

Rafael Nadal – O espanhol vem cada vez mais apostando no jogo agressivo, controlando o ponto sempre que possível. Tenta agora jogar cada vez mais dentro de court com aposta nos pontos ganhantes. Parece-me em boa forma, não esteve nada mal na final de Doha frente a um impecável Davydenko. Não vi o jogo da 3ª ronda e a perda do set, mas é um sério candidato.

Poderá apanhar Murray nos quartos, o que será o maior desafio, à partida, até a uma eventual final que apanharia quase de certeza um de 3 grandes nomes: Federer, Djokovic ou Davydenko.

Novak Djokovic – Perdeu um set na 2ª ronda, seguido de uma “goleada” na 3ª e tem caminho aparentemente livre até às meias (Tsonga ou Almagro nos quartos não me parecem justificar alarmismos para um sério candidato ao troféu). Para mim, é uma incógnita entre este lote, o jogo das meias-finais será “o” encontro para ele (eventualmente frente a Federer ou Davydenko).

Andy Murray – Conjuntamente com Davydenko e Hewitt, o único que ainda não cederam qualquer set. Confesso as constantes dúvidas que venho afirmando sobre a sua capacidade de vencer um Slam. Parece, no entanto, que vem vindo a mudar um pouco o seu estilo, parece em forma e quem sabe. Tem um sempre perigoso Isner nos oitavos, Nadal (?) nos quartos, Del Potro ou Roddick (?) nas meias.

Juan Martin Del Potro – Face aos primeiros resultados da época, só o aqui coloco porque é o último detentor de um Slam e possui um ténis capaz de levar ao sucesso. Parece, no entanto, ser talvez o menos candidato deste lote. Já perdeu 4 sets em 3 encontros num máximo de 6 para estar onde está. Mesmo frente a um Roddick (possível nos quartos), não sei se vencerá.

Nikolay Davydenko – Os holofotes começam a debruçar-se finalmente sobre ele. Confesso nunca ter sido um grande admirador, mas quem já o viu ao vivo (provável para quem já foi pelo menos uma vez ao Estoril Open) percebe porque está há tanto tempo no top-10. O resultado de Doha (na sequência das Finals de Londres) catapultou-o para o favoritismo que nunca teve e muitos arriscam-no como o principal candidato. O calendário é quase tão complicado como o de Federer (eventualmente o próprio Federer, Djokovic e Nadal/Murray/Del Potro).

Estatística relevante: Teve em todos os encontros um set ganho por 6-o e nunca permitiu mais de 4 jogos num set.

Deste lote, só me surpreenderia verdadeiramente (face ao que vi até hoje) uma vitória de Del Potro.

Sem comentarios



Agassi e as drogas II

Muitas são as vozes que têm vindo criticar Agassi pela revelação na sua auto-biografia. Jogadores e ex-jogadores, sejam compatriotas ou não do norte-americano, têm vindo sucessivamente declarar-se contra a decisão do penúltimo tenista a fazer o Grand Slam de carreira. De Federer a Navratilova…

Há, no entanto, um paradoxo na declaração de muitos. Nomes como Nadal ou Becker condenam que tal “trapalhada” tenha acontecido no ATP, mas criticam também Agassi por vir agora falar no assunto, prejudicando a modalidade. Para eles, deveria ficar calado para sempre.

Ora a atitude que “pedem” a Agassi é em tudo parecida à do ATP em 1998: abafar o assunto para não prejudicar a modalidade!

Sem comentarios



Agassi, o desporto e o doping

Nos últimos dias, saiu a público um suposto (e provável) consumo de drogas por parte de Andre Agassi em 1997, na pior fase da sua carreira. Terá sido apenas uma ou algumas vezes, mas foi o suficiente para acusar positivo num controlo anti-doping. Um caso que foi abafado, na altura, pelo ATP dadas as explicações do tenista que confessa que mentiu, à época, nas  mesmas ao dizer que não consumiu conscientemente.

É uma história que promete alguma polémica e discussão. Mediático porque é Agassi, pese embora a própria personalidade atenue as críticas pós-carreira de uma das maiores estrelas de sempre no ténis e não só.

Abre a discussão de casos de consumo que nada têm a ver com a prática desportiva, como alegadamente fora também o caso de Martina Hingis e Richard Gasquet, mas também o próprio papel do ATP nesta história. Confesso que acho a questão do dopping uma questão muito subjectiva de julgamento público pela elevada dose técnica que envolve e que me escapa, a mim e a grande parte dos amantes do desporto.

Na realidade, parece que também escapa às federações e associações internacionais. Apesar de não ser tanto a parte técnica que lhes afecta (embora também), mas pela mediatização negativa que traz às modalidades. Maior controlo e maior dureza resulta em maior número de casos, teoricamente torna o desporto mais limpo, mas mediaticamente a percepção é exactamente contrária, como foi o exemplo do caso do ciclismo. Ou mesmo do ténis no caso recente com o caso de apostas. Recordo que o ATP tomou medidas que prioritariamente serviam para evitar novas polémicas, mais que o problema em si.

Face à situação de Agassi, o ATP acreditou na versão do tenista e decidiu abafar. Será que fez bem?

Na perspectiva de aplicar a justiça cegamente, não! Mas em que é que o ATP ganharia em acusar um dos tenistas que melhor visibilidade trouxe ao ténis? Agassi poderia ter sido suspenso, não ter ganho o Grand Slam de carreira e ficaria com uma carreira notável manchada. E porquê? Porque numa má fase da sua carreira, consumiu droga sem qualquer ligação ao rendimento desportivo.

Sem comentarios



Favoritos à escolha?

O US Open já começou e o seu campeão entrou a vencer, Roger Federer não teve problemas de maior frente a um jovem norte-americano que nem no top-1000 se encontra. Mas será o suíço favorito?

Em teoria seria de longe, na minha opinião é incontornável esse estatuto, mas penso que está longe de ser  um claro favorito. A sua irregularidade ao longo da temporada, apenas disfarçada pelo “Canal da Mancha” (RG e Wimb) e os recordes que tem batido (15 GS, perto de igualar Agassi nos Masters e Sampras no All England Club), continuam a colocar algumas dúvidas.

Sou da opinião que Roger está a fazer uma das piores temporadas a nível de ténis praticado (só a do ano passado pode rivalizar), embora com o preenchimento “final” do seu palmarés a dar-lhe um dos melhores momentos da carreira. Valeu a “ausência” de Nadal em Roland Garros e quase foi surpreendido na final de Wimbledon por… Roddick!

O interessante é verificar que um Federer mediano é suficientemente superior ao resto do circuito  (c/ Nadal envolto em problemas físicos). É isso que talvez é mais assustador no nº 1 mundial, é que mesmo em fases muito negativas nunca deixou de vencer Grand Slams por muito tempo, há sempre um em que consegue ser suficientemente bom para vencer.

Daí que, apesar de achar que continue a estar longe do seu melhor, Roger parta para este US Open como favorito e até sem grande pressão. Há outros nomes a ter (muito) em conta:

Andy Murray – Vencedor em Montreal, deu provas de boas formas e tem no US Open o slam mais adequado para o seu ténis, o ponto negativo talvez seja mesmo a falta de provas em momentos decisivos;

Juan Martin Del Potro – Parte sem a pressão de favorito, mas as carreiras de 2008 e 2009 na US Open Series apontam-no como candidato a sérios estragos;

Andy Roddick – Parte também sem grande favoritismo a nível mediático, mas provou na final de Wimbledon que ainda vai a tempo de lutar pelo 2º slam na sua carreira;

Novak Djokovic – Embora longe do favoritismo que tinha há um e dois anos, é um nome a seguir e com maior pressão que Del Potro e Roddick, até porque tem o seu 4º posto em risco até ao final do ano;

E, obviamente,…

Rafael Nadal – A incógnita, diga-se! No regresso da sua lesão e após uma dura perda dos títulos de Roland Garros e Wimbledon para o seu rival de sempre, o espanhol parte como favorito e incógnita, sendo que pode já fazer Grand Slam de Carreira aos 23 anos. Os quartos-de-final e meias-finais nos Masters 1000 do US Open Series reforça a dúvida: será capaz de lutar pelo US Open?

Muito depende também dos protagonistas das rondas decisivas, um Federer-Nadal na final seria explosivo, por exemplo. Reforço as minhas dúvidas sobre o favoritismo de cada um destes nomes, surpresa seria que fosse alguém fora deste leque a conquistar o título.

Tags: ,

1 Comentario



Política meteorológica/reembolso de bilhetes

Ontem, à saída do Jamor, a um quarto de hora das 19, era fácil perceber o descontentamento de grande parte dos espectadores pelo facto de não terem usufruído na totalidade (diria que nem metade) do espectáculo do Estoril Open.

Como está generalizado em todo o circuito do ATP e WTA, basta um encontro ser concluído para não haver lugar a qualquer reembolso. Ou seja, com a final feminina concluída, não haveria lugar a reembolso.

É fácil perceber o quão delicada é esta questão para as organizações. Falando apenas em questões financeiras directamente relacionadas com os bilhetes e num cenário simplista, entre a organização e os adeptos, uma das partes ou ambas irão ficar a perder. Os únicos que saem ilesos monetariamente são os tenistas, já que nada é descontado nos prémios ou no ‘cachet’ previamente acordados. Resta saber como os custos são repartidos entre os restantes. Continue a ler o artigo… »

Sem comentarios



O potencial mediático do ténis em Portugal

Ontem, Frederico foi destaque principal no Record Online

Frederico Gil estrou-se no top-100 e faz meias-finais no ATP, a imprensa dá grande destaque! Não deveria dar? Claro que sim! Mas quantas modalidades em Portugal se podem orgulhar de ver o nº 74 do mundo a ser tão solicitado?

Não! Esta imagem não está na secção modalidades, mas sim na “Home” do sítio online do jornal Record! A primeira coisa que um internauta veria caso visitasse o Record Online, ontem à tarde, não seria uma qualquer notícia do Benfica, Sporting, Porto ou mesmo sobre a selecção que estava a horas de um encontro importante na qualificação para o Mundial 2010. Frederico Gil era a grande notícia de destaque de um dos principais sites desportivos nacionais!

Continue a ler o artigo… »

1 Comentario



SetPageWidth