Roland Garros: (Dia 1) Resumo do dia

A 109ª edição do torneio de Roland Garros iniciou-se este domingo, jornada da qual já houve confrontos a suscitar enorme entusiasmo nas bancadas dos vários courts espalhados pelo complexo de Roland Garros. A jornada foi inaugurada, como é tradicional, pela detentora do título no Philippe Chatrier. S. Kuznetsova tinha pela frente a talentosa romena, e pupila de A. Van Grichen, S. Cirstea. O encontro caíu de forma mais ou menos fácil para a tenista moscovita, algo que não foi conseguido (pelo menos com a mesma facilidade) pelo francês J. W. Tsonga no último confronto do dia no mesmo “Court Central”. O germânico D. Brands – conhecido dos tenistas lusos de eventos challengers – mostrou a sua raça, mas acabou por mostrar alguma inexperiência nos momentos cruciais do 5º e decisivo set. Nos restantes resultados do dia, realce as eliminações de E. Gulbis no quadro masculino, e das derrotas sofridas por V. Azarenka (10ª cs) e da espanhola M. J. Martinez Sanchez (20ª cs) às mãos da sul-americana G. Dulko e da 98ª posicionada na tabela WTA, A. Amanmuradova, respectivamente. Pela positiva, R. Soderling, M. Cilic, V. Williams e A. Rezai venceram e “carimbaram” exibições seguras.

Torneio Masculino

O público francês teve a oportunidade de vibrar (e de que forma) pelos seus compatriotas na ronda inaugural da edição 2010 de Roland Garros. O grand encontro do dia, no sector masculino, foi aquele que opôs o fisicamente “poderoso” J. W. Tsonga ao inexperiente germânico D. Brands, tenista que Rui Machado defrontou há poucas semanas num torneio Challenger. O encontro foi disputado em cinco sets ( 4-6; 6-3; 6-2; 6-7 (7-2) e  7-5, e teve a duração de 3 h 43 m. O francês acabou por conceder inúmeras oportunidades ao seu opositor, já que cometeu ao longo de todo o encontro, e em especial no 5º set, demasiados erros não provocados. O ténis muito fisico de Tsonga, era um pouco anulado com essa nuance, complementado pelo forte serviço do tenista alemão que participava no torneio parisiense pela terceira vez na sua carreira – foi eliminado em 2008 e 2009 na ronda inaugural. J. W. Tsonga “meteu” 16 aces, enquanto o seu opositor colocou 11 saques directos. O actual nº98 ATP deixou a sua marca, deixando antever boas prestações em torneios vindouros. Em relação a J. W. Tsonga terá que melhorar a sua perfomance se quer dar uma enorme alegria ao público parisiense.

Quem entrou de forma bem “interessante” em Paris foi o finalista da edição 2009, o sueco R. Soderling. Perante o “anfitrião” S. Recouderc – nº 179 ATP, o tenista nórdico confirmou o seu estatuto. Com elevadas percentagens de pontos conseguidos no 1º e 2º serviços (88% e 86%, respectivamente), o 5º pré-designado ainda colocou 9 Ases. O seu ténis poderoso e pancadas chapadas colocaram em “ordem” as poucas ambições que o tenista francês poderia ter à partida. Num encontro marcado por algumas subidas à rede de ambos os protagonistas, realce para a ausência de breaks na primeira pancada de Soderling, que por seu turno rompeu por 6 ocasiões o saque do gaulês. Os parciais de 6-0; 6-2 e 6-3 mostram a superioridade inequivoca do tenista de 25 anos. Quem fez a sua obrigação, mas acabou por ter momentos muito bons, alternados com períodos algo irregulares foi o croata M. Cilic. O croata que defende a 4ª ronda “assinada” no ano de 2009, ainda cedeu o 2º set perante o “esquerdino” canarinho Ricardo Mello. O parcial de 2-6 foi no entanto a excepção, já que triunfou nos restantes sets por 6-3; 6-3 e 6-1. Num encontro marcado por 11 breaks (8 para o tenista europeu, 3 para o actual nº 91 ATP), é justo também realçar a disponibilidade de ambos os tenistas em procurar concluir inúmeros pontos na rede. Nota negativa, finalmente, para a eliminação do letão E. Gulbis, tenista que era apontado como um tenista a seguir no pó-de-tijolo francês. Porém, o jovem tenista que venceu R. Federer já este ano, acabou por desistir por dificuldades fisicas face ao francês J. Benneteau, que dessa forma garantiu a sua presença na 2ª ronda. O encontro foi interrompido quando assinalava os parciais de 6-4; 6-2 e 0-1, favorável ao actual nº 39 ATP. Dessa forma caía o único pré-designado nesta primeira jornada, no caso o 23º cabeça-de-série.

Resultados integrais da prova

Torneio Feminino

Entretanto, o torneio feminino registou já algumas surpresas, embora a russa S. Kuznetsova – detentora do título – tenha carimbado a sua presença na 2ª ronda com relativa facilidade. Perante a “pupila” de Antonio Van Grichen (S. Cirstea), a moscovita ainda entrou algo nervosa e apática. Pelo contrário, Cirstea neste período conseguiu fazer jus à sua talentosa direita, e “cavou” uma vantagem preciosa (3-0). Porém, a experiente russa não desistiu, começou pouco a pouco procurar o seu melhor ténis, algo que viria a aparecer, como é prova os seis jogos consecutivos que venceu. Ao fim de 38 minutos, a moscovita fechou parcial (6-3) graças à sua variação de jogo, nomeadamente a dua direita cruzada, que acabou por desgastar de forma significativa a tenista de 20 anos. Cirstea, que defendia os quartos-de-final conseguidos o ano passado, ainda tentou reagir, mas acabou por ceder o 2º parcial com o “score” de 1-6.

Entretanto, a bielorussa V. Azarenka foi uma  das derrotadas do dia. A 10ª pré-designada sofreu uma derrota durissima face à argentina G. Dulko. Aliás, a tenista argentina apenas cedeu 3 jogos (1-6 e 2-6), não dando qualquer possibilidade de reacção à actual nº 11 WTA. Dulko quebrou o serviço da tenista de leste por 5 ocasiões, capítulo do jogo que seria importante, face a uma única quebra de serviço por parte de Azarenka. A ex-pupila de Van Grichen regista aqui um registo modestissimo, depois dos quartos-de-final de 2009. Outra desilusão do dia, foi a espanhola M. J. Martinez Sanchez. A 20ª cs, e vencedora do WTA de Roma disputado recentemente, cedeu face à tenista de leste A. Amanmuradova, actual nº 98 da hierarquia mundial. O embate fecou com o score de 6-4 e 6-2, e marcou uma das surpresas do dia. A tenista natural do Uzbequistão, dominou quase todos os capítulos de jogo. Com 7 ases, e 21 erros não forçados (marca considerável), a tenista que nunca havia vencido um encontro em Roland Garros, acabou por se superiorizar face à prestação da tenista espanhola que nunca encontrou o seu ténis. Com 8 duplas-faltas e 27 erros não forçados, a tenista espanhola ainda apresentou índices de 1º e 2º serviços inferiores à sua opositora – 57% e 31% face a 62% e 45% da sua rival. Único capítulo de jogo favorável a “nuestra hermana” foi a subida à rede onde esteve bem mais eficaz (74% contra 46% da sua opositora).

Venus Williams, ela que surge em Roland Garros com hipóteses de destronar a sua irmã Serena do posto de nº 1 mundial, entrou de forma bem positiva no torneio. E não se pode dizer que a sua opositora era fácil. A suiça P. Schnyder, ela que competia pela 15ª temporada consecutiva em Paris, não foi capaz de contrariar o ténis mais fluído de Venus. Em dois parciais (6-3 e 6-3), Venus fez das forças uma das suas maiores armas. Ainda que cometendo alguns erros não forçados (21), a norte-americana apareceu bem motivada, e por diversas vezes surgindo na rede para terminar os pontos.

Entretanto, os franceses poderão ter este ano uma compatriota com recursos bem consideráveis a atingir as últimas rondas da prova. A. Rezai, está num momento de forma fantástico, como prova o seu resultado face à canadiana Heidi El Taback. Ainda que a sua opositora não fosse propriamente uma tenista de primeira linha, a tenista gaulesa conseguiu uma vitória sem espinhas (6-1 e 6-1), oque nem sempre é fácil ainda por cima jogando em “casa”, e em primeiras rondas de um torneio do Grand Slam. Ainda a registar as vitórias de M. Kirilenko, F. Penneta e N. Petrova entre outras.

Resultados integrais da jornada (Quadro feminino)

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