Circuito ATP: Fevereiro

O mês de Fevereiro, como é habitual, não apresentava um grande evento do circuito ATP, no entanto, houve algumas prestações bem interessantes por parte de alguns dos seus intervenientes. Com torneios a desenrolarem-se na Europa, África e América (Norte e Sul), tivemos variados tenistas a destacarem-se, todos eles de segunda linha, alguns dos quais estreando-se a vencer um torneio do ATP World Tour. Este mês, tivemos alguma dificuldade para elegermos o “tenista de Fevereiro”, no entanto, numa espécie de homenagem à sua brilhante carreira, elegemos o espanhol Juan Carlos Ferrero como o “homem do momento”.

A FIGURA DO MÊS

J. C.Ferrero esteve em grande na América do Sul (AFP/Getty Images)

Numa breve resenha pela sua brilhante carreira, J. C. Ferrero, esteve em “grande”, especialmente no ano de 2003, temporada que chegou a comandar a tabela ATP. Com um percurso desde cedo bem prometedor (dividiu com Fernando Gonzalez interessantes duelos ainda no circuito júnior), o tenista natural da pequena cidade de Onteniente (localidade perto de Valencia), venceu o seu primeiro troféu profissional em Mallorca (ano de 99). A partir daí, “Mosquito” como ficou conhecido no circuito profissional, coleccionou até à data 14 títulos ATP, um deles do Grand Slam (Roland Garros 03), para além de disputar duas finais de torneios da mesma categoria (US Open no mesmo ano, e uma “repetente” final em Paris, no entanto, sem erguer o troféu na final desejada).

A sua “cunha” de “Mosquito” no circuito profissional, deveu-se à sua impressionante velocidade e capacidade para chegar a todas as bolas “rechaçadas” pelos seus rivais. A sua perfomance foi tal, em 2003, que J. C. Ferrero ficou conhecido como o “rei da terra batida”. Nesse mesmo ano, para além de vencer o maior torneio naquela superfície – Roland Garros, o tenista espanhol venceu igualmente o “Masters” de Monte Carlo e o evento de Valencia, também em pó-de-tijolo. Mas, Ferrero, ainda não estava satisfeito com a sua prestação. No US Open, surpreendeu tudo e todos. Nas meias-finais, roubou o posto de nº 1 mundial a Andre Agassi, acabando no entanto por “sucumbir” face a A. Roddick na grande final. Depois, aquando do seu regresso à Europa, provou a tudo e a todos, toda a sua versatilidade com a vitória na “carpete” de Madrid, outro evento da então “Masters Series”.

Um dos vencedores do “nosso” Estoril Open (2001), esteve especialmente bem entre 1999 (primeiro título na carreira), até ao ano de 2003. A partir daí, o actual nº 14 ATP “coleccionou” alguns dissabores, alguns dos quais impediram-no mesmo de estar presente no circuito ATP. Antes de ser apanhado nas “redes” da varicela (2004) – doença perigosa quando apanhada em idade adulta -, Ferrero ainda começou bem o ano de 2004 – chegou às meias-finais do Austrália Open (d. Federer) e à final em Roterdão (d. L. Hewitt). A partir daí, o tenista espanhol desapareceu um pouco dos grandes palcos e interessantes registos. Depois de ter escapado à doença já referida, o ex-nº 1 mundial, lesionou-se num treino, afectando o seu pulso e algumas costeletas. A sua ausência foi bem prolongada, no entanto, em 2009, acabou por regressar às vitórias – na circunstância, no ATP de Casablanca.

Porém, o ínicio de 2010, e especialmente o mês de Fevereiro, correu muito bem ao tenista espanhol. Na mini-temporada de terra batida da América do Sul, registou a interessante marca de 14 vitórias e 1 derrota. Venceu dois torneios de categoria “250″ – Costa do Sauípe e Buenos Aires, para além de disputar a final no “milionário” torneio de Acapulco, evento de categoria 500. O seu “carrasco”, no torneio mexicano, foi o seu compatriota D. Ferrer, amigo que havia vencido uma semana antes na capital argentina. Chega assim ao fim de Fevereiro com o registo de 14 vitórias e 3 derrotas, posicionando-se na 14ª posição ATP, isto depois de ter começado a actual temporada no posto nº 23 do ranking mundial.

Subiu desde o ínicio de 2010, nove posições, no entanto, se não for vitima de contratempos fisicos, será interessante ver até onde pode ir o “veterano” tenista espanhol de 30 anos.  A seguir, especialmente, a temporada de terra batida europeia. De realçar, que em recentes declarações proferidas no Open do Brasil, o tenista espanhol confessou ter expectativas de chegar ao Top-10 mundial, e quem sabe estar presente no ATP Finals de Londres, lá mais para o final da presente temporada. A ver vamos, uma coisa é certa, ambição não lhe falta…

Finais Fevereiro 2010

ATP 250 de Santiago (Chile): T. Belluci vs J. Mónaco 6/2; 0/6; 6/4

ATP 250 de Zagreb (Croácia): M. Cilic vs M. Berrer 6/4; 6/7; 6/3

ATP 250 de Joanesburgo(África Sul): F. Lopez vs S. Robert 7/5; 6/1

ATP 250 de Costa do Sauípe (Brasil): J. C. Ferrero vs L. Kubot 6/1; 6/0

ATP 500 Roterdão (Holanda): R. Soderling vs M. Youznhy 6/4; 2/0 Ret.

ATP 250 San José (USA): F. Verdasco vs A. Roddick 3/6; 6/4; 6/4

ATP 250 Marselha(França): M. Llodra vs J. Benneteau 6/3; 6/4

ATP 500 Memphis (USA) : S. Querrey vs J. Isner 6/7; 7/6; 6/3

ATP 250 Buenos Aires (Argentina): J.C. Ferrero vs D. Ferrer 5/7; 6/4; 6/3

ATP 500 Acapulco (México): D. Ferrer vs J.C.Ferrero 6/3; 3/6; 6/1

ATP 500 Dubai (EAU): N. Djokovic vs M. Youznhy 5/7; 7/5; 6/3

ATP 250 Delray Beach (USA): E. Gulbis vs I. Karlovic 6/2; 6/3

PEQUENAS NOTAS

R. Federer e R. Nadal: Não deixa de ser curioso, neste ínicio de 2010, que os dois tenistas mais mediáticos dos últimos tempos, estejam actualmente lesionados. O suiço, como é sabido, contraiu uma virose pulmonar, supõe-se na sua viagem ao Quénia. Porém, as últimas noticias, dizem-nos que o suiço estará em Zurique, já a preparar o seu retorno à competição, já no ATP 1000 de Indian Wells que se inicia no próximo dia 11. Já, R. Nadal, deverá estar também no evento norte-americano, isto depois de ser afectado pelo seus problemas crónicos nos joelhos.

E. Gulbis: Finalmente, o tenista letão, acabou por vencer o seu primeiro título ATP. (Delray Beach). O promissor tenista de leste, envolvido em consecutivos escandalos nada ligados ao ténis, protagonizou a maior subida do mês. No ínicio do ano, o jovem de 21 anos ostentava a posição nº 90 ATP, esta segunda-feira surge numa posição bem mais consentânea com o seu real valor (45º do ranking mundial). Veremos se o seu 1º título ATP, acaba por dar a confiança que faltava ao tenista de leste. Importante, é que Ernest esteja mentalmente bem, pois o resto deverá aparecer com relativa facilidade.

T. Bellucci: Outro jovem em grande ascensão no circuito profissional. O jovem “canarinho” surge na posição nº 32 ATP, mas melhor do que isso são as suas prestações. Principalmente em terra batida, Thomaz, tem tudo para registar grandes resultados. No Brasil já o comparam a “Guga”. O registo de 12/5 é bem positivo, ele que venceu o seu 2º evento ATP (Santiago do Chile).

A. Murray : O tenista escocês tem estado no centro das atenções, nem sempre pelos melhores motivos. Depois de ter acabado com a sua namorada, o tenista natural de Dunblane foi o “alvo” de criticas de dois directores de eventos ATP: primeiro, do torneio de Roterdão (evento que desistiu à última hora), depois do “milionário” evento do Dubai, evento que proporcionou uma estadia “principesca” ao tenista britânico, mas este acabou por ser derrotado numa fase bem prematura do torneio.

R. Gasquet e N. Almagro: Dois tenistas que estão a perder “gás” no circuito. O sempre prometedor, mas imcompreendido tenista gaulês, “mora” numa posição muito aquém dos seus predicados (nº 69 ATP), já o tenista espanhol, depois de ter falhado nos torneios de terra batida sul-americanos, acabou por ir parar ao posto nº 40 (ele que começou a actual temporada como 26º do ranking mundial).

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