Introdução
A nova temporada que começa oficialmente no próximo domingo, em Brisbane, está coberta de grandes expectativas quer no circuito profissional masculino (ATP Tour), quer no circuito WTA. Os grandes denominadores de 2009, Roger Federer, no circuito masculino, e Serena Williams, no circuito feminino, partem com pressupostos mais ou menos semelhantes. Não estando ambos no fim das suas respectivas carreiras, deverão concentrar-se nos grandes palcos, pelo que o ranking mundial nesta altura das suas ambições, não deverão constituir prioridades nos seus trajectos. O helvético depois de ter ultrapassado a marca de 14 GS (na circunstância de Pete Sampras), e sendo agora “chefe de família”, não deverá ser tão consistente e simultaneamente tão disponível como em anos anteriores. Já, Serena Williams, deverá ter uma concorrência muito forte, mais a mais depois dos retornos da impressionante Kim Clijters (vencedora do US Open em Agosto último), e de Justine Hénin, que marca o retorno à competição oficial em Brisbane.
Circuito ATP
Roger Federer será sem dúvida, ainda assim, o “alvo” a abater. Com sucessivas marcas históricas alcançadas, o tenista natural de Basileia terá uma forte e diversificada concorrência. Rafael Nadal, com uma temporada importante até para perceber a sua perfomance física, será a interrogação da temporada. Não que o seu valor seja posto em causa, mas as suas sucessivas lesões ao nível dos seus joelhos prometem atormentar o tenista treinado por Toni Nadal. O nivel exibido pelo actual Top-5 mundial deverá ser imbatível nos grandes momentos da temporada, contando assim com o personalizado Novak Djokovic, a consistência do escocês Andy Murray ou a eficácia e potência do “emergente” J. M. Del Potro. O sul-americano é mesmo aquele que promete uma maior evolução, ainda que Murray detenha diversas tácticas que poderá por em “Court” em diferentes e diversos momentos. Entre os “Outsiders”, a expectativa é elevada em relação ao sueco R. Soderling, aos gauleses J.W.Tsonga, G. Simon ou G. Monfils, para já não falar dos consagrados A. Roddick ou N. Davydenko. Isto em relação aos competidores “polivalentes”. Na já, selectiva superfície de terra batida, a “armada” hispânica é uma importante escola – N.Almagro, F. Gonzalez, F. Verdasco, J. Monaco, D.Ferrer são importantes figuras entre outros. Entre os “veteranos”, J. C. Ferrero ou L. Hewitt são figuras emblemáticas, já entre os jovens “emergentes”, K. Nishikori, G. Dimitrov e o australiano B. Tomic são figuras a seguir. Nos tenistas que “falam” a língua de Camões realce para F. Gil (quem sabe a alcançar o Top-50 mundial), Rui Machado (a entrar no Top-100, finalmente), ou ainda os jovens brasileiros T. Bellucci e Marcos Daniel (entre o Top-100 mundial).
Circuito WTA
Os críticos têm vindo a salientar o nível apresentado no circuito forte, nem sempre o desejável. O triunfo de Kim Clijters, no US Open 2009, pouco depois de ter voltado à competição, veio relançar a controvérsia. Nessa circunstância, o retorno à competição de Justine Hénin pode relançar ou ainda revigorar o circuito. A sua rivalidade com as irmãs Williams, a restauração de uma pancada cada vez mais rara no ténis contemporâneo – a esquerda a uma mão -, e em simultâneo o aparecimento de novas figuras entre as tenistas de Top, poderão dar “cara” mais lavada ao circuito. Longe, actualmente, de figuras ímpares no ténis moderno como M. Navratilova, C. Evert ou S. Graff, o ténis feminino está refém do amadurecimento de novas figuras que venham ostentar na “era” do ténis actual tais pergaminhos, ou marcas importantes. As irmãs “Williams” já conseguiram importantes feitos, no entanto, o futuro do ténis entre as mulheres não estará certamente centradas nelas. A escola russa é importante nessa linha, ainda que possa fracassar com determinadas figuras que a certa altura pareciam mais viradas para o sucesso – ainda a tempo de contrariar essa tese está Maria Sharapova, já mais limitadas estarão S. Kuznetsova ou E. Dementieva. Serena parte como favorita a ostentar o reinado entre as mulheres, ainda que Kim Clijters e Justine Hénin constituem grande interrogação. Ainda entre as moscovitas, D.Safina tenta lutar contra a maré, tentando chegar ao seu primeiro Grand Slam. Entre as meninas “bonitas” do circuito, atenção para os trajectos de C. Wozniacki, da bielorussa e ex-pupila de Antonio Van Grichen, Victoria Azarenka, ou das sérvias J. Jankovic e Ana Ivanovic, apostadas em relançar as suas carreiras. Além destas, as intermináveis tenistas de leste que surgem cada vez mais nos pequenos torneios WTA, mas com ténis para dar o “pulo”. Umas mais do que outras são sempre figuras a ter em linha de conta – A. Radwanska, U. Radwanska, S. Cirstea, K. Bondarenko são algumas delas. Entre as novas “caras”, Melanie Oudin, Laura Robson ou a “nossa” Michelle Brito são figuras prontas a despontar, ainda que outras estejam prontas a dar nas vistas e saltar para a ribalta. A expectativa é elevada, o espectáculo comece.
