Dezembro, 2009


Temporada 2010: Antevisão do ano

Introdução

A nova temporada que começa oficialmente no próximo domingo, em Brisbane, está coberta de grandes expectativas quer no circuito profissional masculino (ATP Tour), quer no circuito WTA. Os grandes denominadores de 2009, Roger Federer, no circuito masculino, e Serena Williams, no circuito feminino, partem com pressupostos mais ou menos semelhantes. Não estando ambos no fim das suas respectivas carreiras, deverão concentrar-se nos grandes palcos, pelo que o ranking mundial nesta altura das suas ambições, não deverão constituir prioridades nos seus trajectos. O helvético depois de ter ultrapassado a marca de 14 GS (na circunstância de Pete Sampras), e sendo agora “chefe de família”, não deverá ser tão consistente e simultaneamente tão disponível como em anos anteriores. Já, Serena Williams, deverá ter uma concorrência muito forte, mais a mais depois dos retornos da impressionante Kim Clijters (vencedora do US Open em Agosto último), e de Justine Hénin, que marca o retorno à competição oficial em Brisbane.

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Na Argentina, há um desportista melhor que o Messi

Não sou eu responsável por esta afirmação, mas sim quem atribuiu um dos mais importantes prémios desportivos anuais na Argentina. Juan Martin Del Potro venceu o prémio de melhor desportista nacional (na Argentina, claro). Não deixa de ser algo bizarro que, num país em que o futebol reina e em que até há uma seita que endeusa Maradona, o melhor jogador de futebol do mundo não supere o… 5º melhor tenista do mundo.

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Temporada 2010: Pré-época do circuito WTA

Depois, de termos passado uma breve resenha sobre as novidades do circuito ATP, hoje, iremos ver o que se passou de mais relevante com as tenistas que fazem as delicias do circuito WTA. Num ano que promete ser algo “entusiasmante” com os regressos de Justine Hénin e K. Clijters, esta última depois de ter vencido o US Open 2009, as novidades são mais do que muitas.

Justine Hénin está de regresso ao circuito WTA (Photo by Ezra Shaw/Getty Images Sport)

Justine Hénin é uma das grandes novidades do circuito WTA para 2010 (Foto Getty Images)

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Temporada 2010: Pré-época do circuito ATP

Quando estamos a pouco menos de uma semana para o ínicio da temporada 2010 – tanto no circuito profissional masculino (ATP), quer no circuito feminino, deixamos aqui as principais notas desta pré-temporada. Os principais tenistas, torneios e ademais novidades/curiosidades, tudo será argumento para o informar daquilo que se passou nos últimos trinta dias (aproximadamente). Hoje, faremos uma breve resenha dos principais tenistas do circuito masculino.

Tenistas

Roger Federer : O actual nº 1 mundial foi eleito pelo ITF como o tenista do ano de 2009. O suiço que, já esta semana, estará em competição (Torneio de Exibição de Abu Dhabi), já revelou o seu programa para 2010 (salvo algum imprevisto). Como se sabe, o Estoril Open, é um dos eventos que o suiço deverá estar presente. Confira aqui os respectivos torneios. Entretanto, foi revelado que Roger, apresentar-se-à nesta nova temporada com uma nova raquete. A sua nova raquete é o último modelo da Wilson e na qual se destaca a sua sensibilidade. A nova “amiga” de Federer é produzida com fibras de pedra natural de vulcão. Todos os seus fâns poderam ser “brindados” com uma foto da familia “Federer”, na sua página oficial na internet, bem como o desejo de um bom natal.

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Del Potro melhor que Messi

Não é só o desporto espanhol que vive dias gloriosos (em Espanha, a Marca já disse que era a Era Dourada), na Argentina pode-se dar ao luxo de não se escolher o melhor jogador do mundo de futebol como desportista do ano no seu país. O futebolista Messi foi batido no Olímpia de Oro, um prémio nacional (da Argentina, claro), por Del Potro.

O complicado destes prémios será sempre perceber o critério que leva a eleição em de um em detrimento de outro. Em países com desporto desenvolvido ou, pelo menos, competitivo em várias modalidades vive-se mais saudavelmente com estas designações, mas será sempre difícil quantificar a influência que devem ter factores como a importância de um desporto no país e no mundo ou mesmo se é de carácter individual ou colectivo.

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Morrer na praia

O site do ATP World Tour continua com algumas listagens referentes à primeira década do século XXI que termina este ano. A penúltima refere-se às derrotas mais dramáticas, tendo em conta os títulos perdidos pelos tenistas em questão. São os vices que raramente serão lembrados para a história apesar de terem estado tão perto…

A lista conta no quinto lugar com os insucessos de Patrick Rafter nas finais de Wimbledon 2000 (perdeu em 4 set para Sampras) e 2001 (perdeu num dramático 7-9 no 5º set para Ivanisevic). Em quarto lugar, o encontro que levou Kuerten a desenhar na terra batida de Roland Garros um coração, Michael Russel ficou a 1 único ponto de vencer o encontro por 3 sets, esta vitória levaria o tenista brasileiro ao 3º título em Paris. No terceiro lugar, Paul-Henri Mathieu esteve a apenas 2 pontos da vitória no 4º set do decisivo encontro da final da Davis Cup face a Youzhny, viria a perder num dramático 5º set. Em segundo lugar, mais recente, a derrota de Andy Roddick face a Roger Federer na final deste ano de Wimbledon. Olhando para trás, o momento do jogo foram aqueles 4 “set points”  perdidos no tie-break do 2º set que lhe podia dar a vantagem por 2-0, sobretudo o último com um vólei de esquerda falhado. Viria a perder por 14-16 no 5º set.

É, no entanto, no primeiro posto que está um encontro que, para além de dramático, foi uma grande reviravolta e uma das maiores surpresa em finais de Grand Slams. Na final 100% argentina de Roland Garros 2004, Guillermo Coria partia como favorito face a Gaston Gaudio (que nem era cabeça-de-série) após uma temporada primaveril convincente e de uma série fantástica em terra batida (37 vitórias nos últimos 38 encontros). Ia tudo de feição, com Coria a liderar por 6-0, 6-3 e 4-4 (40-0). A reviravolta deu-se o ‘break’ nesse mesmo jogo de serviço e inclui um ponto simplesmente fantástico que reduziu a desvantagem de Gaudio para 40-30. Coria ainda serviu duas vezes no 5º set para a vitória, teve 2 ‘match-points’, mas foi Gaudio a vencer por 0-6, 3-6, 6-4, 6-1 e 8-6.

Para a história, fica uma das maiores falhas no currículo de um tenista que parecia que tinha tudo para ganhar. Coria até tinha o homem responsável pelo seu nome próprio “pronto” para lhe entregar o troféu – Guillermo Villas -, mas o troféu parisiense saiu para as mãos de um outro compatriota.

Veja o resumo do encontro em baixo…

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R. Gasquet com importante vitória…fora dos “Courts”

RICHARD GASQUET

O francês foi ilibado no caso de "consumo de cocaína"(Foto J.Kimura/Getty Images Asiapac)

O francês foi ilibado no caso de "consumo de cocaína"(Foto J.Kimura/Getty Images Asiapac)

O francês Richard Gasquet obteve, hoje, uma importante vitória ainda que a temporada já tenha terminado. Com efeito, Gasquet foi ilibado no caso de consumo de droga por parte do CAS (Tribunal Arbitral do Desporto). Recorde-se que todo este processo foi desencadeado durante o ATP 1000 de Miami, em Março último, altura em que foi detectado “sinais” de cocaína no organismo de um dos mais promissores tenistas franceses dos últimos tempos. Ainda assim, a suspensão provisória valeu-lhe a ausência em dois dos quatro GS da temporada – Roland Garros e Wimbledon.

Hoje, o processo foi definitivamente resolvido depois de alguns meses de avanços e recuos. Gasquet sempre se “pronunciou” inocente, situação que se foi tornando mais clara por altura da segunda análise efectuada. Assim, o tenista francês terá todas as condições de melhorar o seu registo actual no ranking mundial: nº 52 ATP, demonstrando todo o talento que já o levou a “imiscuir-se” no Top-10 mundial.

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O top-5 da década

O site do ATP decidiu fazer uma eleição do top-5 dos jogadores da primeira década do século XXI (supondo que a mesma decorre entre 2000 e 2009). Há dois nomes incontornáveis que já estão no top-10 de toda a história: Roger Federer e Rafael Nadal. Como não poderiam ser eles encabeçar a lista?

Segue-se um nome vindo dos antípodas que marcou o início do século com a conquista de dois campeonatos, o australiano Lleyton Hewitt. Os 2 títulos do Grand Slam e as 2 Masters Cup (agora ATP Finals) garantiram-lhe o trono durante duas épocas numa fase em que o circuito estava a ficar órfão do natural declínio de Sampras. Em 2003, começou a desaparecer apesar de ter conduzido o seu país ao título na Davis Cup (pelo caminho, batendo Federer num épico das meias-finais), mas regressaria para mais duas finais de Grand Slam, embora já no domínio do reinado Federer apenas interrompido pela genialidade de Marat Safin em 2005 que também lhe tirou a possibilidade de vencer “o” título do seu país. Hewitt é um nome que, com altos e baixos, se integra perfeitamente no lote de 5 melhores da década.

Os dois últimos nomes que o site do ATP reserva vêm dos Estados Unidos. O primeiro pela parte final da carreira já nos trinta com muitos títulos, Andre Agassi. Ainda deu tempo para conquistar 3 dos seus 8 títulos do Grand Slam entre os 29 e meio e a sua retirada aos 36 anos. Deu luta na final do US Open 2005 perante Federer (aos 35!) numa prova de vitalidade. Actualmente, envolvido (pelo próprio) na polémica de consumo de drogas em 1997, a verdade é que menos de metade de Agassi foi suficiente para o incluir nesta lista.

Sobra o último nome, Andy Roddick. Ficou entre a grande esperança do ténis norte-americano para suceder ao recordista Pete Sampras e a resignação face à superioridade do “mandato” de Federer. O tenista do Nebraska foi para muitos uma desilusão ou um tenista limitado e/ou sem talento. Não se pode negar, no entanto, que para além do título do US Open em 2003 e o campeonato desse ano, Roddick manteve-se quase sempre no top-10 desde os 20 anos – apenas saiu fora 8 semanas desde 2002 – e ainda pode-se justificar com o facto de ter do outro lado da rede um jogador que ultrapassa a sua própria geração e que evitou várias vezes a conquista de um 2º Grand Slam. Foram 4 finais (e muitas outras meias e quartos-de-final) em que Federer retirou-lhe o sabor da vitória da confirmação. Na final de Wimbledon deste ano, esteve perto, mas apenas lhe valeu mais um “vice” e o reconhecimento de ter mostrado mais qualquer coisa que em outras.

Concordo plenamente com estes 5 nomes. De fora, ficam Marat Safin (2 GS) que só não está ali por clara irregularidade de resultados ou Pete Sampras (2 GS) que teve uma carreira muito curta esta década, mas não menos gloriosa.

Link externo: Artigo dos melhores jogadores da década no ATP World Tour

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Davis Cup: 4º título para a Espanha

O seleccionado espanhol, capitanead0 por Albert Costa,  está de parabéns. Pela 4ª vez na sua história, a Espanha venceu a Taça Davis depois de ter vencido a sua congénere checa no Palau Saint-Jordi, na capital da Catalunha, Barcelona. O fim-de-semana que agora finda foi testemunha de uma grande vitória dos tenistas espanhóis que de certa forma confirmaram o estatuto de favoritos. Por um retundante (5/0), os espanhóis não deixaram dúvidas sobre a sua superioridade, levando de vencida os cinco encontros que faziam parte da agenda desta final. David Ferrer foi a grande figura, acompanhado por R. Nadal nos encontros de singulares ,e de F. Lopez e F. Verdasco no encontro da variante de pares.

Os recentes bi-campeões da Taça Davis (Associated Press)

Os recentes bi-campeões da Taça Davis (Associated Press)

Foi num ambiente ao rubro que a selecção espanhola levou de vencida a equipa checa comandada por T. Berdych e R. Stepanek. A superioridade dos tenistas espanhóis nunca esteve em causa, no entanto, o segundo singular foi a chave de uma final que poderia ter outra fisionomia se R. Stepanek segurasse a vantagem conseguida.

Este domingo foi apenas para cumprir calendário. R. Nadal e D. Ferrer tiveram a possibilidade de serem consagrados pelos seus compatriotas, levando de vencida J. Hajek e L. Dhouhy. O nº 2 do mundo venceu o nº 102 ATP em dois simples parciais (6/3 e 6/4). Já a grande estrela do primeiro dia venceu Dhouhy por 6/4 e 6/2. Desta forma, R. Nadal e D. Ferrer fecharam o ano em grande levando de vencida os quatro singulares que participaram dando à Espanha o bi-campeonato.Particularmente, o tenista de Mallorca acaba a temporada de uma forma bem melhor, quem sabe um tónico importante para o inicio de 2010.

O primeiro e segundo dia da final

Como é habitual os primeiros dois dias de uma eliminatória da Taça Davis são fundamentais, mais a mais numa final. Rafael Nadal mostrou-se bem mais disponivel para as incidências do primeiro singular desta final. T. Berdych era o adversário. Sabe-se quão importante era a terra batida para o seleccionado espanhol, mais a mais para Nadal que faz  dessa superficie praticamente a sua “casa”. Esse facto foi indesmentivel e os parciais de 7/5; 6/0 e 6/2 são testemunha de uma superioridade sem discussão.

O momento chave

O encontro entre D. Ferrer e T. Berdych foi sem dúvida o momento chave desta final. O tenista checo entrou com muita coragem e conseguiu uma vantagem importante. Ao fim de dois sets, Stepanek vencia pelos parciais de 6/1 e 6/2, parciais que não ofereciam discussão aquilo que acontecia no Palau de Saint-Jordi. No entanto, David Ferrer incorporou o sentimento de rebeldia e de inconformismo, digno dos nuestros hermanos, e conferiu uma cambalhota no marcador de forma fantástica. Do nada, Ferrer venceu o 3º set (6/4), e surgiu bem melhor no 4º parcial. Ao invés, Stepanek viu-se numa situação muito complicada perante um público ao rubro com aquilo que via. As sistemáticas subidas à rede que tão bem tinham funcionado no 1º e 2º set eram facilmente ludibriadas por Ferrer. Ao fim de 4 h e 17 m, o tenista natural de Javea venceu pelos parciais de 1/6; 2/6; 6/4; 6/4 e 8/6.

O cheque-mate

O dia de ontem era reservado ao encontro de pares mas suficiente (caso vencesse a Espanha) ,para fazer do último dia da final um mero cumprimento de calendário. E foi isso que aconteceu. F. Lopez e F. Verdasco enfrentaram o par Berdych/Stepanek, eles que não estavam à partida para actuarem no encontro de pares. No entanto, e dadas as circunstâncias, Jaroslav Navratil preferiu os dois tenistas checos mais experientes à parelha Hasek/Dlouhy. Em apenas três sets (7/6;7/5 e 6/2) o par espanhol garantia a 4ª Davis para o país vizinho. Aliás, um “upgrade”, daquilo que tinha acontecido em Mar Del Plata na final 2008 frente à Argentina.

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