ATP Finals 2009: A hora (im)própria para a “decisão”?

A partir de domingo, a imponente O2 Arena de Londres recebe pela primeira vez o ATP Finals da presente temporada – antigos “Masters”, mas com o mesmo fim: eleger o melhor tenista do ano. Longe da competitividade e carisma de um Grand Slam, ou da tradição da Taça Davis, este torneio reúne os oito “mais” da temporada, este ano com o aliciante adicional de eleger o nº 1 do ranking ATP no final de 2009.

A questão já vem de longe, e certamente já leram esta problemática em algum orgão de comunicação, levantado pelos “experts” da modalidade: será o melhor momento da temporada para realizar um evento que tem interesses indiscutiveis a nível comercial e financeiro, e que envolve milhões de euros quer na organização da prova, quer na distribuição de prémios monetários ?

Na minha humilde opinião, gostaria mais de ver este torneio no ínicio de cada ano. Quem sabe no mês de Fevereiro, a seguir ao primeiro Grand Slam da temporada – o Austrália Open. E porquê? Claro está que a calendarização da temporada tem vindo a ser uma questão bem premente e discutida nas últimas semanas. Mas aqui a questão é uma: (aliás como aconteceu nos Masters femininos): arriscamos chegar a um evento que pretende mostrar ao “universo” tenistico os melhores oito tenistas de um determinado período – no caso, o ano de 2009, e depois encontrarmos algumas das estrelas num momento quer fisico quer amimico em “baixa”.

Claro está, não existem cenários perfeitos, e esta questão até acaba por ser recorrente até noutras modalidades desportivas. O que é curioso, é que poderemos assistir à decisão do nº 1 mundial no fim do ano, com dois competidores em baixa: Roger Federer apresentou-se nas últimas semanas uns “furos” abaixo do seu potencial, já Rafael Nadal, não se encontra no seu melhor momento competitivo. Por isso, é que um torneio como este mais aproximado a um evento de exibição, no qual se reúne os oito melhores do ano, não me parecia descabido realizar-se no ínicio de cada temporada: (futebolisticamente falando) poderia ser uma éspécie de supertaça: procurava-se dar um prémio ao jogador que realizava uma boa temporada, e em simultaneo realizava-se um torneio em “grande”.

Novak Djokovic chega a Londres num momento de forma muito acima dos seus rivais, não nos esquecendo dos restantes participantes: Andy Murray, o britânico sedento de uma grande conquista, Del Potro e Nicolay Davydenko em consolidação de carreira, Fernando Verdasco e Robin Soderling como os perfeitos outsiders – e porquê?

Recordamos as exibições do sueco, por exemplo, perante Rafael Nadal em Roland Garros – roubando a invencibilidade ao espanhol na terra batida parisiense, já Verdasco, um madrileno com muito talento. Não nos esquecemos também da regularidade do esquerdino de Madrid, o mesmo que participou num dos grandes encontros de 2009: as meias-finais do Austrália Open frente, precisamente”, ao mesmo Rafael Nadal.

O espectáculo está garantido. Não nos esqueçamos de Andy Roddick que foi obrigado a desistir do evento londrino devido a lesão, esperamos que outros “actores” não sofram do mesmo mal. J.W.Tsonga está na expectativa, já Del Potro parece algo recuperado do seu défice fisico que o limitou em Paris-Bercy. Veremos…

  1. #1 por Susana Costa em Novembro 20th, 2009 - 15:20

    De facto, é decepcionante chegarmos ao fim da época e assistir a desistências e a encontros pouco competitivos em torneios onde só entram os melhores e onde era suposto haver grandes jogos. Porém, não concordo com a alteração do ATP Finals (antiga Masters Cup) para o início do ano. A sua realização no final da época provavelmente não favorece jogadores como o Nadal que têm um grande desgaste durante o ano, mas são aspectos que ultrapassam os próprios jogadores. O estado anímico não depende da altura do ano. O Djokovic, por exemplo, há dois anos chegou a Xangai e não ganhou um encontro sequer, e o ano passado acabou por vencer o torneio. Depois de uma época de competição, os oito melhores de cada ano têm, assim, uma última oportunidade de mostrarem o que valem face aos seus adversários directos.

    RE Q
  2. #2 por João Saro em Novembro 20th, 2009 - 18:12

    O Masters, na minha opinião, tem de ser sempre a fechar a época, senão deixa mesmo de ter o imaginário que tem. Na comparação que fazes, de facto, não sou grande apreciador da Supertaça (é um troféu menor no meu ver).

    Este fenómeno de desgaste vem sobretudo das últimas temporadas, sobretudo com Federer e Nadal. Talvez porque o circuito se tornou mais desgastante que o normal. Daí preferisse uma antecipação para Outubro só um Masters 1000 a anteceder.

    Senão, só com o Australian Open a mudar para finais de Fevereiro ou Março.

    RE Q
  3. #3 por Bruno Santos em Novembro 20th, 2009 - 23:05

    Pois, é lógico que tanto as apreciações que fazes, João, juntando-se também os comentários da Susana são válidos. No entanto, penso que isto tem a ver com a forma como se olha para o evento. Não me parece, isto na minha opinião, que este evento vá mudar o balanço de cada um dos participantes na presente temporada. É um torneio muito interessante para a comunicação social, para os patrocinadores, mas não tem a relevância, nem pouco mais ou menos de um Grand Slam.Para mim, acho que vai ser inevitável o encurtamento da temporada – não me parece possivel o ATP manter este calendário por muito tempo. Como disse, acho que há não cenários perfeitos, mas tb não me parece ser pausivel os tenistas estarem em competição até fim de Novembro/Ínicio de Dezembro e depois estar em competição no ínicio de Janeiro. Por isso, é que acho que este ATP Finals é mais um torneio de exibição, ainda que este ano decida o posto de nº 1 mundial. No entanto, como vemos, o próprio Nadal já reconheceu estar mais preocupado (digo antes, mais focado) na Davis do que propriamente em Londres. Por isso mesmo, um torneio deste tipo mais cedo (sem tocar de uma forma mais abrangente no calendário não me parece possivel), logo no inicio do ano é mt complicado (sabemos como as condicionantes quer naturais quer económicas envolvem o AO). Por isso, e atendendo ao figurino do torneio gostava mais de ver num período em que os participantes chegassem melhor, até porque os actuais competidores tem um ténis formidável, estando no seu melhor momento.

    P.S – Outro pormenor, essa questão do desgaste n me parece que se coloque apenas no caso do Nadal e Federer – toda a gente fala mais neles (é normal), mas vemos os torneios que participaram o Del Potro, Soderling, mesmo o Djokovic. O desgaste acho que se faz com semanas consecutivas em competição – não estou a contar apenas com o nr. torneios) mas viagens, treinos, compromissos inerentes aos eventos, entrevistas, etc, etc.

    RE Q

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