Jornada fantástica em Roland Garros! As meias-finais foram disputadas ambas em cinco sets, recheadas de emoção, um nível de ténis elevado, peripécias, drama e sobretudo um nível competitivo fabuloso. Depois da vitória de Soderling frente a R. Nadal, e sobretudo do nível tenistico exibido pelo sueco, iremos ter uma final que muitos adeptos de ténis esperavam: o carrasco de Nadal (Soderling) frente a R. Federer. Como se costuma dizer, ” quando não se tem cão caça-se com gato”, e este “gato” chamado Soderling promete dar que fazer ao antigo nº 1 mundial. Não se pode dizer que um encontro foi melhor que outro, cada um com as suas caracteristicas. Na primeira meia-final ,Soderling entrou com tudo – venceu os dois sets iniciais – e depois de se dar ao luxo de perder o 3º e 4º parcial, “carimbou” a presença na final num 5º e decisivo set. Já Federer empatou a meia-final (1/1), e depois de perder o 3º set foi atrás do prejuízo dando a “cambalhota” no marcador.
Soderling a todo gás
Robin Soderling entrou no seu embate face a Fernando Gonzalez (12º CS) a todo o gás. Alicerçado num serviço potente e de diversas devoluções de recurso de Gonzalez, o sueco procurava o “winner” com uma facilidade espantosa. Depois de ter vencido o 1º e 2º set com os parciais de 6/3 e 7/5, o encontro estava a “cair” para o lado do tenista nórdico. No entanto, era de prever que Soderling não aguentasse o ritmo, e se Gonzalez não conseguiu ganhar sobremacia sobre o 23º CS, conseguiu manter-se por perto no marcador. O placard encontrava-se em 5/5, (3º set) e Gonzalez sentia chegar o momento da verdade. Depois de ter ganho o seu “saque”, o chileno conseguiu “brekar” o sueco e assim fechar o 3º set. O set seguinte regeu-se sobre o signo do equilibrio, e uma vez mais Gonzalez “brekou” num momento importante : 5/4*, remetendo para o 5º set a decisão do encontro. Parecia que Soderling estava “KO”, já não revelava a mesma frescura quer física quer animica. E a tendência do último set confirmava isso mesmo: Gonzalez chegou a 4/1, com serviço de Soderling. Graças a um serviço explosivo, o sueco nunca deixou de pressionar o chileno e depois de vencer o seu jogo de serviço, “brekou” o sul-americano (4/4). A partir daí, Robin deu a volta ao encontro, fez o 5/4 no seu serviço e graças a uma direita em cima da linha converteu um match-point em vitória nesta meia-final. O jogo teve um nível muito elevado. Só para termos uma ideia, Soderling conseguiu 74(!) winners contra 45 erros não forçados, enquanto Gonzalez registou a marca de 59/33. Já no “item” dos “aces” venceu Gonzalez (22 contra 16), enquanto a conversão de break-points em jogos convertidos foi muito equilibrado – 5 em 18 para Soderling, 4 em 7 para Gonzalez, ainda que o chileno tenha aproveitado em melhor percentagem.
Federer de novo em 5 sets
Roger Federer partia para esta meia-final com algum favoritismo, no entanto, era de contar com um Del Potro poderoso fisicamente quer tecnicamente. Com um jogo de fundo do court bem eficaz, o argentino detém um serviço muito forte. Já Federer, não com um serviço tão explosivo, faz da sua diversidade e colocação um ponto chave no seu ténis. Para auxiliar a sua direita com tantas soluções, e uma esquerda que em alguns momentos mostra uma fragilidade a explorar pelos seus adversários, o encontro começou sobre o signo de equilibrio. No 5º jogo, Del Potro quebrou o serviço a Federer e partiu para a vitória no set inaugural (6/3). Federer estava a sentir muitas dificuldades no serviço de Del Potro, de tal forma que só no tie-break conseguiu iqualar o encontro. O 3º set sempre importante na tendência do encontro, “caíu” para Del Potro que continuava não só a servir de forma exemplar, como subindo imensas vezes à rede para aí concluir os pontos. Chegou a uma vantagem inicial de 2/0 e 3/1, e depois de brekar Federer pela segunda vez no set, fechou o parcial a 6/2. Perto de 3 horas de encontro, Federer não conseguia “descolar” no placard, foi quando a partir daí, Del Potro começou a ceder fisicamente. Com Federer a vencer o 4º set por 6/1, o ascendente do encontro parecia “inclinar” para o suiço. Depois de um ínicio de set favorável – 2/0, Del Potro parecia estar “encostado às cordas”, mas um break no serviço de Federer, “resgatou” as esperanças do sul-americano em chegar à final do grand slam. Foi no famoso e histórico 7º encontro que Federer ganhou a vantagem que viria a ser fatal. Com os parciais de 3/6; 7/6(2); 2/6; 6/1 e 6/4, Federer continua a alimentar o sonho de deter o grand slam da sua carreira, algo que está a “apenas” um encontro de distância. Federer registou 50 winners (muitos deles com a sua famosa direita), e 29 erros não forçados. Com 5 “ases”, o suiço conseguiu converter 4 das 12 oportunidades de break. Já Del Potro fez do seu serviço uma das suas principais armas (16 “aces”), conseguindo 55 winners – mais 5 que Federer, e 40 erros não forçados. Um encontro de bom nível no qual Federer nos momentos cruciais impôs-se devido à sua capacidade fisica, quer na sua solidez mental.
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