
Nadal e Federer defrontam-se pela 8ª vez num Grand Slam (Foto: Michael Steele/Getty Images)
De geração em geração, o ténis sempre teve o condão de produzir uma rivalidade mediática entre dois tenistas. Borg/McEnroe ou Sampras/Agassi, talvez os dois maiores exemplos dos já “arquivados”, mas a rivalidade entre Roger Federer e Rafael Nadal já tomou há muito os seus contornos especiais e é séria candidata a transcender as restantes. O suíço é já considerado, por grande parte dos especialistas, como o melhor tenista de sempre. O espanhol é apontado como o melhor tenista de terra batida e apelidado como o melhor nº 2 de toda a história até destronar Federer do primeiro lugar.
Em Março de 2004, no torneio de Miami, quando um muito jovem rapaz maiorquino importunou o início do longo reinado do novo nº 1 mundial (na altura, Federer estava há menos de dois meses na liderança do ATP), estava-se longe de imaginar que estes dois tenistas iriam produzir alguns dos momentos mais emocionantes da história do ténis. Passado pouco mais de um ano, a terra batida de Roland Garros via o primeiro dos sete embates entre ambos em Grand Slams (6 finais e uma meia-final), todos acabaram por definir o vencedor dos ‘majors’ em que se envolveram. Nadal é quem leva clara vantagem, com 5 vitórias contra 2 derrotas em Grand Slams (12-6 no frente a frente de jogos oficiais), mas com grande parte dos encontros a acontecerem no seu piso preferido, a terra batida.
Amanhã, a Rod Laver Arena será o palco de mais um capítulo da “novela” desenvolvida por estes dois tenistas. Surgem, agora, um perante o outro com novas variáveis em jogo. Federer já não é nº 1 mundial e encontram-se, pela primeira vez, a discutir um Grand Slam em hardcourt. Teoricamente, é Federer quem melhor se adapta a esta superfície e o único com ‘majors’ sobre ela, mas o frente-a-frente entre ambos coloca-os empatados com duas vitórias para cada lado. Federer venceu dois encontros (Miami e Tennis Masters Cup, esta em recinto coberto), Nadal outros tantos (Miami e Dubai). Não ajustam contas desde Xangai, em Novembro de 2007.
Existe a curiosidade de saber como Nadal se apresentará fisicamente depois de um dos encontros mais longos da história do torneio e como Federer aparecerá psicologicamente perante o adversário que mais o colocou à prova. O espanhol está com um ténis mais adaptado a estas superfícies e o suíço com novas forças de retornar à liderança mundial. “Rafa” foi quem melhor começou o torneio, Roger quem mais se “afinou” desde então.
É também um encontro com um outro motivo para ter um significado muito especial. Para além de poder ser o primeiro Grand Slam em hardcourt para “Rafa”, o suíço tem oportunidade de igualar o recorde mítico de títulos em Grand Slams. Federer está a apenas uma vitória de alcançar a marca que Pete Sampras alcançou em Flushing Meadows, no ano 2002. 14 títulos do Grand Slam!!!
