
Jelena Jankovic, nº 1 mundial (Foto Getty Images)
Depois da retirada de Justine Hénin do posto nº 1 do ranking WTA, não apareceu ainda uma jogadora que dominasse de forma sólida o circuito feminino. A actual nº 1 mundial, Jelena Jankovic, terminou a época com esse estatuto, no entanto ainda não o justificou pelo menos de forma autoritária, precisando para isso de vencer uma grande prova como um grand slam. Estamos a passar uma fase em que existem variadas tenistas com legítimas aspirações ao “trono”,e depois da exibição algo “cinzenta” da sérvia no Australian Open, só um “milagre” é que manterá a tenista de 23 anos no posto mais alto do ranking WTA.

Jelena Jankovic poderá perder o posto de nº 1 mundial (Foto Getty Images)
No entanto, a reflexão que queria aqui deixar tem a ver com o seguinte: será que Jelena Jankovic preenche os “requisitos” para uma nº 1 mundial? O confronto perante Marion Bartoli, deveria na minha óptica, servir um pouco de reflexão à sérvia.Se tivermos em atenção as estatísticas do jogo entre a francesa e a nº 1 mundial, verificamos que a francesa não só tem mais erros não forçados (20-15), como ainda conseguiu uma diferença enorme nos winners conseguidos: (34-17), nada mais nada menos do que o dobro.
Isto quer dizer alguma coisa.A sérvia detém uma esquerda, talvez, a melhor do circuito, e possui um jogo de contra-ataque fenomenal, mas será que este perfil encaixa no “estereótipo” de uma nº 1 mundial? Se formos buscar as antigas nº 1 mundial, desde M. Navratilova até à actualidade, apuramos que todas elas detinham um ténis agressivo, e mais do que isso, partiam para cima das suas adversárias marcando o seu próprio ritmo de jogo.
Steffi Graf, Monica Seles, Martina Hingis, Justine Hénin ou as norte-americanas Davenport e as irmãs Williams possuíam esse “estereótipo” – iniciativa de jogo, algumas delas um grande serviço, suporte físico que proporcionava muitas das vezes subida à rede, fortes e variadas pancadas do fundo do court.
É essa iniciativa que a sérvia em determinados momentos não tem. A partir de um determinado momento, Marion Bartoli , começou a “massacrar” o segundo serviço da sérvia, não dando qualquer hipótese à nº1 mundial. Muito cedo a sérvia viu-se encostada às “cordas”, mas nem por isso conseguiu ter a iniciativa de marcar ela própria o ritmo de jogo.
É certo que é uma táctica que resulta muitas das vezes – basta verificarmos os últimos resultados da sérvia ultimamente – no entanto detém um jogo suficientemente estimulante para poder “marcar” uma era no ténis feminino? Claro que Jankovic tem 23 anos, e o seu próprio jogo possui alguma margem de evolução, no entanto, os próximos tempos, e em particular os grandes torneios grand slam (ainda não possuí nenhum no seu “palmarés”, darão a resposta a esta pergunta).
A evolução terá de ser rápida, pois como este Australian Open está a provar existem numerosas jovens a quererem entrar na história do ténis feminino. Para já não contarmos com Maria Sharapova ou Ana Ivanovic, que já conseguiram algo importante nas suas carreiras, tenistas como C. Wozniacki, V. Azarenka ou Dinara Safina prometam “ofuscar” a sérvia que divide a sua residência entre Belgrado e Brendanton na Flórida.
A ver vamos…
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